Certo evangelista tocou-me profundamente a alma quando eu ainda jovem repórter dum diário. Esse evangelista estava hospedado em casa de um pastor presbiteriano. Bati à porta e pedir para falar-lhe. O pastor, com voz trêmula e com o rosto iluminado por estranha luz, respondeu: " Nunca se hospedou um homem como ele em nossa casa. Não sei quando ele dorme. Se entro no seu quarto durante a noite para saber se precisa de alguma coisa, encontro-o orando. Vi-o entrar no templo cedo de manhã e não voltou para as refeições".
Fui à igreja... Entrei furtivamente para não perturbá-lo. Achei-o sem paletó e sem colarinho. Estava caído de bruços diante do púlpito. Ouvi a sua voz como que agonizante e comovente instando com Deus em favor daquela cidade de garimpeiros, para que dirigisse almas ao Salvador. Tinha orado toda a noite; tinha orado e jejuado o dia inteiro.
Aproximei-me furtivamente do lugar onde ele orava prostrado, ajoelhei-me e pus a mão sobre seu ombro. O suor caía-lhe pelo corpo. Ele nunca me tinha visto, mas fitou-me por um momento e então rogou: "Ore comigo, irmão! Não posso viver se esta cidade não se achegar a Deus". Pregara ali vinte dias sem haver conversões. Ajoelhei-me ao seu lado e oramos juntos. Nunca ouvirá alguém insistir tanto como ele. Voltei de lá assombrado, humilhado e estremecendo.
Aquela noite assisti ao culto no grande templo onde ele pregou. Ninguém sabia que ele não comera durante o dia inteiro, que não dormira durante a noite anterior. Mas, ao levantar-se para pregar, ouvi diversos ouvintes dizendo: "A luz do seu rosto não é da terra!" E não era mesmo.
Ele era conceituado instrutor bíblico, mas não tinha o dom de pregar.
Porém, nessa noite, enquanto ministrava, o auditório inteiro foi tomando pelo poder de Deus. Foi a primeira grande colheita de almas que presenciei.
Livro " Heróis da Fé "
Página 4 e 5
" O Soluço de Um Bilhão de Almas "
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