Quando Satanás percebeu que suas tentações e assaltos não trariam o resultado desejado – isto é, destruir o ministério e tornar seus frutos ineficazes – ele tentou outro caminho: estimular a mente dos ignorantes e maliciosos para me atacarem com reprovações e acusações caluniosa. Posso dizer que os planos do diabo e seus instrumentos forjados contra mim circulavam de um lado a outro do país, com o objetivo de, como eu já disse, me fazer abandonar o ministério. Entre as pessoas começaram a espalhar-se rumores de que eu era bruxo, um jesuíta, um salteador ou coisa assim. A tudo isso devo apenas dizer que Deus sabe que sou inocente. Mas quanto aos meus acusadores, que se preparem para me encontrar diante do tribunal do Filho de Deus, para responder por todas essas coisas e por suas demais iniquidades, a não ser que Deus lhe conceda arrependimento; e oro com todo meu coração para que ele faça isso.
[…] Eu me glorio nessas acusações difamatórias, como também nas outras, pois elas não passam de calúnias, mentiras absurdas e abomináveis e falsidades lançadas sobre mim pelo diabo e sua prole. Se, no mundo, eu não passasse por esse perverso caminho, me faltaria uma das características dos santos e dos filhos de Deus. “Bem-aventurado sois”, diz o Senhor Jesus, “quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós” (Mt 5.11-12).
Por conseguinte, quanto a mim, essas coisas não são causa de aflição – não, ainda que fossem vinte vezes piores do que são. Tenho uma consciência tranquila; e, enquanto falam de mim como um malfeitor, quem acusa falsamente minha boa conduta em Cristo é que deve se envergonhar. Então, o que devo dizer àqueles que me têm desonrado dessa maneira? Devo ameaçá-los? Devo censurá-los? Devo lisonjeá-los? Devo pedir-lhes que retenham sua língua? Não, não devo. Se essas coisas não tornassem seus autores cúmplices e prontos para a maldição, eu lhes diria: “Podem dizer isso, porque assim vocês aumentarão a minha glória”. Portanto, tomo essas mentiras e acusações caluniosas como ornamento para minha pessoa; ser difamado, caluniado, censurado e ultrajado faz parte da minha profissão cristã; e, desde que tudo isso é nada, como Deus e minha consciência testificam, regozijo-me em ser censurado por amor a Cristo.
[…] Não tenho sido guardado porque há em mim qualquer bem, mais do que existe em outros; mas Deus tem sido misericordioso comigo e me tem preservado. Oro para que ele continue a preservar-me, não apenas disso, mas de todo mau caminho e procedimento, bem como para que ele me guarde até à vinda do seu reino celestial. Amém.
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