Mas nós pregamos a Cristo crucificado 1 Co 1: 23

segunda-feira, 19 de junho de 2017

As Institutas ou Tratados da Religião Cristã

É preciso insistir firmemente nestes dois elementos: primeiro, que jamais existiu sequer uma obra de um homem piedoso que, se examinada pelo severo juízo de Deus, não houvesse de ser condenável; segundo, se isso viesse a acontecer – o que ao homem não é possível –, contudo, visto tal obra estar viciada e manchada pelos pecados do próprio autor, ela perderia o favor...

As Escrituras, por toda parte, nos dissuadem de toda e qualquer confiança quando ensinam que todas as nossas justiças exalam mal cheiro à vista de Deus, salvo se derivarem perfume da inocência de Cristo; que nada podem senão exacerbar a vingança de Deus, a não ser que sejam mantidas na indulgência de sua misericórdia.

De fato, dessa forma nada mais nos resta fazer, senão implorarmos a nosso juiz, com aquela confissão de Davi: Ninguém será justificado diante dele, caso exija conta de seus servos [Sl 143.2]. Onde, porém, Jó diz: “Se agi como um ímpio, ai de mim; mas, se agi justamente, nem assim levantarei a cabeça”[Jó 10.15], ainda que vise àquela suprema justiça de Deus, à qual nem mesmo os anjos satisfazem, entretanto isso ele mostra, ao mesmo tempo: quando, ante o juízo de Deus, nada se vê restar a todos os mortais senão que emudeçam...

O Apóstolo testifica que a causa final é não só a manifestação da justiça divina, como também o louvor de sua bondade..

Pois assim fala aos romanos: “Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus; porém são justificados gratuitamente por sua graça”[Rm 3.23, 24]. Aqui tens a cabeça e a fonte primeira da salvação: que Deus nos abraçou com sua graciosa misericórdia. Segue-se: “pela redenção que há em Cristo Jesus”[Rm 3.24]: aqui tens como que a matéria pela qual a justiça nos é consumada; “pela fé em seu sangue”[Rm 3.25]: aqui se mostra a causa instrumental, mercê da qual a justiça de Cristo nos é aplicada.

Por último, acrescenta o fim quando diz: “para demonstração de sua justiça, para que ele seja justo e justificador daquele que é da fé em Cristo”[ Rm 3.26]. E para que, de passagem, também denote que esta justiça consiste em reconciliação, diz expressamente: Cristo nos foi dado para nossa reconciliação.

- João Calvino.

(Fonte: Calvino, João. As Institutas ou Tratados da Religião Cristã - Edição clássica (latim), volume 3. In: Cap. XIV, sub 11,16,17. Ebook Kindle Edition.)
←  Anterior Proxima  → Inicio

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Quem sou eu

Este ministério online tem por objetivo divulgar o Santo Evangelho de Deus. Como também resgatar e postar as poderosas mensagens dos grandes homens de Deus do passado.

Acreditamos que essa ferramenta eletrônica será muito útil e oportuna devido ao cenário espiritual que estamos vivendo, aumento desenfreado do sincretismo religioso, humanismo secular e às ciências sociais dominando os fundamentos eclesiásticos.

“Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa vontade; Uns, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões. Mas outros, por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho.”

A solução para tudo isso é apenas voltarmos para as Escrituras, tendo ela como base e razão da nossa fé. Ministério independente: Assembleia de Deus A Profecia do Apocalipse
Tecnologia do Blogger.

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *